A relação simbiótica entre os 25 anos da MCF e a profissionalização da atividade do Luxo no país.

Por mcf
Publicado em 07.11.26

Carlos Ferreirinha

Quando a MCF foi fundada, há 25 anos, o Luxo já existia no Brasil. O que não estava presente era seu ecossistema de sustentação.

Existiam marcas e clientes. Inclusive algumas ilhas de excelência. O que ainda não existia era uma “indústria” estruturada, uma narrativa mais ampla e uma visão de gestão capaz de conectar estratégia, cultura, experiência, relacionamento e geração de valor.

Foi nesse contexto que Carlos Ferreirinha iniciou um trabalho pioneiro que ajudaria a transformar a forma como o Luxo seria compreendido no país.

Muito antes do tema ocupar espaço nas escolas de negócios, nos conselhos de administração e nas agendas corporativas, Ferreirinha defendia que o Luxo não deveria ser analisado apenas pela ótica do consumo ou do produto, mas como um olhar de gestão.

O Luxo como excelência. Como inspiração capaz de contribuir para empresas e profissionais a construir desejo, relevância, diferenciação e valor percebido.

Ao longo dos últimos 25 anos, essa visão ajudou a formar lideranças, orientar organizações e contribuir para a construção de um mercado mais maduro. Inclusive ultrapassando as barreiras da alta renda e compartilhando “pílulas do Luxo” que poderiam ser “administradas” por operações de grande volume, independentemente do seu ramo de atuação.

Dentro da lógica de “pílulas do Luxo” para alavancagem de negócios, somente nos últimos cinco anos estivemos envolvidos em projetos com o GRUPO BOTICARIO, em uma atuação voltada à construção de repertório, diferenciação e elevação de valor percebido em marcas de perfumaria. Na concepção e apoio na tomada de decisão da Galeria Magalu, espaço inaugurado em 2025 na Avenida Paulista que buscou integrar marcas, experiências e novas formas de interação em um único ambiente. Ou ainda em projetos recorrentes com a Movida, em uma jornada contínua de desenvolvimento que envolveu treinamento de equipes, formação de multiplicadores, construção de manuais e fortalecimento de uma cultura orientada não apenas à eficiência operacional, mas à geração de valor para o cliente.

Em comum, todos esses projetos reforçam uma convicção que acompanhou a trajetória da MCF desde sua fundação: os princípios que sustentam a atividade do Luxo não pertencem exclusivamente à atividade do Luxo. Eles representam uma poderosa fonte de inspiração para qualquer organização que deseje criar degraus de diferenciação com foco em recorrência e preferência.

Por isso, olhar para a trajetória da MCF é também observar a evolução da própria Inteligência de Gestão do Luxo no Brasil.

Não porque a MCF tenha caminhado sozinha. Mas porque esteve presente, muitas vezes de forma pioneira, em algumas das transformações mais relevantes que moldaram a solidificação de sua atividade.

Ao longo dessas duas décadas e meia, observamos o mercado brasileiro passar por mudanças profundas. Algumas visíveis, outras silenciosas, mas todas decisivas para construir o ecossistema que conhecemos hoje.

O Brasil, um país jovem, distante dos grandes epicentros do Luxo global e com o mercado fechado por muitos anos, era pautado na Era do Produto. Pelo olhar da MCF esse período ocorreu entre o intervalo dos anos 80 e os anos 2000. Momento das certificações, da baixa competitividade. Da escassez.

Até então falava-se sobre marcas, preços, lançamentos e consumo. A Internet engatinhava, não havia smartphone e o profissional bastava ter conhecimento sobre produto para potencializar a venda.

O Luxo, no entanto, sempre esteve associado a algo mais complexo: desejabilidade, significado, pertencimento, repertório e experiência. Mas o mercado brasileiro ainda não tinha a plena convicção de que vender um produto ou serviço de Luxo e construir valor para uma marca de Luxo exigem competências distintas.

Essa mudança de olhar, difundida ao longo de anos pela atuação da MCF, abriu espaço para discussões que hoje parecem naturais, mas que há 25 anos eram praticamente inexistentes.

O mercado se transformava por completo e demandava uma atualização profissional que tivesse um foco muito além do produto.

A aceleração do online, o avanço de escritórios próprios de marcas de Luxo com presença no país e o cliente mais empoderado com a informação na palma da mão, clamava pelo período que a MCF chamou de a Era das Experiências. Trata-se do intervalo entre 2000 e 2020, que coincidia com a maior presença internacional no Brasil.

O período foi marcado pelo surgimento de novos “equipamentos” do consumo INDOOR com forte aderência à alta renda brasileira.

Foi neste intervalo que tivemos a inauguração do Shopping Cidade Jardim, mas precisamente em 2008. Iguatemi Brasília em 2010.  JK Iguatemi, Pátio Batel Curitiba e RioMar Recife, em 2012.

Em 2014 foi a vez do Shopping Flamboyant, em Goiânia, lançar sua expansão e se firmar como polo de atração de marcas globais de Luxo.

Nos bastidores a MCF atuava no apoio estratégico para a chegada dessas marcas, no preparo dos “equipamentos” e na capacitação de equipes. Tivemos a honra e o privilégio de atuar com todos os Shopping Centers mencionados e de apoiar a compreensão e entendimento de um mercado brasileiro tão complexo.

Mais do que novos pontos de venda, esses movimentos alavancaram novos padrões. Padrões de operação, de gestão, de atendimento. Padrões de construção de marca.

O Brasil deixava de observar o Luxo global à distância e passava a conviver com ele diariamente.

Os desafios eram inúmeros, mas talvez o maior deles fosse capacitar pessoas capazes de representar essas marcas e se adequar ao cliente cada vez mais exigente.

Um momento em que vendedores passaram a ser vistos como consultores. Quando gerentes passaram a ser vistos como líderes de cultura. Quando relacionamento deixava de ser uma habilidade individual e passava a ser uma competência organizacional.

Dentro dessa trajetória, a plataforma de conteúdo MCF “O Luxo aplicado à Gestão” é conduzido anualmente, de forma ininterrupta, por mais de 22 anos. Ao longo desse período, o programa, ministrado exclusivamente por Carlos Ferreirinha, teve o privilégio de ter reunido, entre seus participantes, executivos, empreendedores e líderes que ajudaram a construir e transformar o mercado de Luxo no Brasil.

Talvez aqui um dos principais legados da MCF ao longo de sua trajetória: ajudar empresas a compreender que excelência é meio e não fim. Na busca pela perfeição, subjetiva e muitas vezes inatingível, atuamos com EXCELÊNCIA. É a inquietação constante que garante sua consistência.

Nesse processo, Carlos Ferreirinha firmou-se como um dos principais formadores de opinião do mercado ao traduzir os temas-chave de gestão da Inteligência da atividade do Luxo para a realidade brasileira e construir uma visão com legitimidade de atuação sobre consumo, gestão, liderança, comportamento e experiência.

Com uma atuação pulverizada em todas as cinco regiões do país e projetos em mais de 20 segmentos ou ramos de atuação distintos, não só Ferreirinha mas todo o time de projetos estratégicos, constroem seu repertório pela vivência, pelo mergulho nas particularidades e nuances do universo da alta renda pela transversalidade e pelo olhar 360 do comportamento do consumo.

Outro marco importante dessa evolução foi a fundação da ABRAEL (Associação das Marcas de Luxo que operam Brasil e América Latina) em 2010. À época, muitos dos líderes das marcas globais de Luxo presentes no país nem se conheciam e Ferreirinha percebeu a oportunidade de criar a associação para juntar forças para discussões sobre as “dores e delícias” de atuar na região.

Mais do que acompanhar percepções globais, passamos a discutir os desafios específicos do nosso mercado, a formação dos nossos profissionais e o desenvolvimento do nosso ecossistema.

Atualmente com mais de 60 marcas, a ABRAEL segue reunindo de forma periódica os executivos das marcas de Luxo internacionais e do mercado doméstico com foco em unir forças em temas sensíveis de grande impacto para a consolidação, expansão e neutralização de desafios comuns.

No intervalo entre 2020 e os dias atuais, adicionamos uma nova camada ao que chamamos de a Era das Experiências.

Faltavam produtos, vieram produtos. Faltavam experiências, o mercado foi inundado de boas experiências. Agora, diante de tantas alternativas, o relacionamento se torna peça-chave para que o cliente com padrões de exigência elevados escolha a minha experiência.

A este novo momento demos a nomenclatura de “A Era do Relacionamento Experiencial”. Período em que o relacionamento atinge outro patamar. A importância da “alma” da operação para gerar RECORRÊNCIA, LEALDADE, PREFERÊNCIA.

Por consequência de toda essa atuação transversal, a MCF consolidou seu papel transferência de conhecimento para o mercado. Contribuindo na interpretação e tradução das mudanças quase como TRADUTORES SIMULTÂNEOS do tempo presente. Diante de um cenário da não previsibilidade, como reagir rápido para jogar “Lux” no atendimento, na experiência, no posicionamento de marca, na curadoria da construção de valor.

Ao atingirmos nossa “maioridade”, após 18 anos de atuação da MCF e somado à toda trajetória de Ferreirinha que antecede a fundação da empresa, foi publicado a obra “O Paladar Não Retrocede”, com Carlos Ferreirinha, pela DVS editora. O livro inclusive foi um “portal” para sairmos de nossa “bolha de atuação”, expandindo o pioneirismo de Carlos Ferreirinha para um número ainda maior de pessoas.

O título “cirúrgico” traz uma das principais convicções da “Era das Experiências”: clientes que vivenciam novos padrões de excelência dificilmente retornam aos níveis anteriores de expectativa.

Anos depois, já em um cenário marcado pela busca por relevância, relacionamento e diferenciação, “O Olhar para o Extraordinário”, obra escrita por Carlos Ferreirinha junto com Leandro Crepaldi, ampliaria essa discussão ao explorar como operações e profissionais podem transformar interações em experiências memoráveis, reforçando o papel do relacionamento como ativo estratégico de geração de valor.

Ao longo dos últimos anos, a área de Conteúdo e Conhecimento da MCF aprofundou essa missão de conectar observação de mercado, repertório internacional e aplicação prática, transformando aprendizados em metodologias, programas, publicações e experiências de desenvolvimento para milhares de profissionais.

A diferenciação pelo único, pelo autêntico. Por meio de uma cultura de geração de valor, hospitalidade cruzada, relacionamento com profundidade, permeado por estratégias claras de clienteling e sempre com a liderança como guardiã absoluta.

25 anos com lastro, legado e presença.

Foi isso que buscamos construir em cada projeto, em cada treinamento, em cada imersão e em cada conversa.

Nenhuma estratégia acontece sozinha, tampouco a marca ou cultura se sustenta sozinha. O “combustível” está nas “Pessoas”, com peso fundamental na busca constante por manter-se relevante no tempo presente.

E, talvez aqui que esteja um dos grandes desafios, ou uma das maiores oportunidades, que observamos desde 2001.

Diante do cenário de tantas incertezas, algo definitivamente fica claro: a diferenciação competitiva caberá àqueles que conseguem construir VALOR ao redor do que vendem.

Leandro Crepaldi :: Head da Academia MCF :: Área de conteúdo e conhecimento

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